O Delta do Parnaíba, entre Piauí e Maranhão, é formado por cinco braços do Rio Parnaíba que chegam ao Atlântico. O percurso por suas ilhas e canais permite passar de áreas de água doce a trechos de mar aberto.
A Área de Proteção Ambiental (APA) Delta do Parnaíba foi criada em 1996 e, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), abrange 307 mil hectares em dez municípios de três estados: Piauí, Maranhão e Ceará.
Parnaíba, a cerca de 340 quilômetros de Teresina pela BR-343, é apresentada como porta de entrada para os passeios. A região também envolve comunidades como a da Ilha das Canárias, onde vivem mais de 2.500 pessoas.

O estuário dos rios Timonha e Ubatuba, na divisa do Piauí com o Ceará, é área de ocorrência do peixe-boi-marinho, espécie ameaçada de extinção. A reportagem aborda ainda os passeios por barras e manguezais, a observação de animais e as condições climáticas da região.
Barras, dunas e passeios de barco pelo delta
As saídas do Delta do Parnaíba para o Atlântico são chamadas de barras: Igaraçu, Canárias, Caju, Melancieiras e Tutoia. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), passeios em barcos com capacidade para até 80 pessoas partem do Porto dos Tatus, em Ilha Grande, no Piauí.
Um dos pontos do trajeto é a Caída do Morro, onde dunas chegam à margem do rio. O passeio tradicional segue até a Ilha dos Poldros, no Maranhão, com parada na praia do Feijão Bravo.
Para entrar em canais mais estreitos, há passeios em voadeiras, lanchas que comportam até 14 passageiros. Elas percorrem igarapés em direção às barras das Canárias, do Caju e das Melancieiras, passando por áreas de mangue.
Entre os atrativos dos canais estão ninhais de guarás e garças, além da possibilidade de avistar macacos-prego, guaribas, jacarés e capivaras. No fim da tarde, os guarás retornam aos ninhais; à noite, lanchas rápidas fazem passeios pelos igarapés em busca de jacarés.
Peixe-boi e cavalo-marinho nos estuários e mangues
Pescadores de Cajueiro da Praia, no Piauí, e de Chaval, no Ceará, conduzem visitantes pelas camboas, lagos que se formam à beira-mar no estuário dos rios Timonha e Ubatuba. Os deslocamentos são feitos em embarcações tradicionais com motor de rabeta e podem incluir paradas para banho em bancos de areia.
A observação do peixe-boi-marinho depende da maré, da lua e do período de chuvas; o primeiro semestre é apontado como a época mais favorável no estuário. Mais de dez animais foram registrados na área, e a Base Peixe-Boi Marinho, criada em 1994 no Pontal do Socó, recebe visitantes em dias úteis e mantém um pequeno museu com esqueletos de animais marinhos.
Em Barra Grande, uma associação de moradores organiza o passeio para observar cavalos-marinhos. O percurso começa de charrete e continua em canoas a remo pelos mangues e igarapés dos rios Caramupim e Cardoso, até a Ilha do Cavalo-Marinho.
No local, o condutor mergulha para localizar o animal e o coloca por alguns instantes em um pequeno aquário para observação. Como o roteiro depende da maré, é preciso agendar com antecedência, e o horário muda diariamente.
Parnaíba, comunidades locais e clima da região
Parnaíba tem aeroporto próprio e serve de base para deslocamentos aos portos e às praias da Área de Proteção Ambiental. Segundo as informações de visitação do ICMBio, barcos que saem do Porto dos Tatus permitem combinar trechos de rio, manguezais e praias em um mesmo roteiro.
Na Ilha das Canárias, no lado maranhense, a comunidade reúne pescadores, catadores de caranguejo e coletores de ostras e mariscos. Essas atividades mostram como os recursos do delta estão ligados ao cotidiano de quem vive na ilha.
Em Cajueiro da Praia, Barra Grande, Itã e Morro Branco são destinos de praia associados a mar calmo e bancos de areia. A região também serve de ponto de partida para passeios de observação do peixe-boi, conforme as condições do estuário.
As médias climatológicas do Climatempo para Parnaíba indicam calor durante o ano, com máximas que variam de 30°C a 35°C. As chuvas se concentram de fevereiro a maio: em dezembro são cerca de 40 milímetros e, em fevereiro, passam de 170; março e abril superam 260 milímetros.
De junho a agosto, a precipitação diminui, chegando a cerca de 3 milímetros em agosto. Entre setembro e novembro, os totais mensais ficam abaixo de 10 milímetros; as temperaturas médias indicadas variam de 24°C a 34°C no inverno e de 25°C a 35°C na primavera.


