Claudio Mendes, produtor musical, compositor e arranjador, aproxima artistas de diferentes gerações por meio da criação coletiva. Segundo perfil publicado em 24 de outubro de 2026, ele vê a música também como uma forma de integrar pessoas.
Nascido em Parnaíba, no Piauí, Mendes chegou a Fortaleza aos seis anos, após morar em Teresina, e começou a tocar profissionalmente aos 14, acompanhando o pai, Fonseca Júnior, em bailes. A vivência na estrada e o contato com diferentes ritmos ajudaram a formar uma trajetória de mais de duas décadas.
Em Fortaleza, o músico trabalha com artistas de diferentes fases da cena cearense e desenvolve o Ateliê de Criação Musical, iniciativa que já reuniu quase 500 participantes no estado. Também planeja projetos que conectam sua atuação musical à história da família em Parnaíba.

O perfil aborda as parcerias de Mendes, as experiências internacionais e a formação artística, além dos planos para um show com 30 artistas e para transformar poemas de seu avô em música. Entre os temas estão a troca entre gerações, a criação sem exigência de perfeição e a aproximação com as origens familiares.
Da formação nos bailes às experiências internacionais
Antes de iniciar uma graduação em música, Claudio Mendes aprendeu observando os músicos com quem tocava e experimentando diferentes instrumentos e estilos. Ele descreve os bailes como uma formação prática, marcada pela variedade de ritmos e pela convivência com públicos distintos.
Mendes chegou a cursar o primeiro semestre de música na faculdade, mas uma greve interrompeu as aulas. Uma oportunidade de trabalho o levou à Espanha, onde passou quatro meses se apresentando; a partir dessa experiência, seguiu aprendendo principalmente por métodos próprios e pela prática.
As viagens profissionais também ampliaram sua compreensão sobre diferenças culturais. Ao longo da carreira, passou por quase 50 países e participou de festivais no Brasil e no exterior; segundo ele, estar em lugares onde era o diferente ajudou a desenvolver empatia por quem ocupa essa posição em seu território de origem.
Parcerias musicais e encontros entre gerações
Como produtor e diretor musical, Claudio Mendes trabalhou com artistas de trajetórias variadas. Dirigiu shows de Ednardo e Di Melo, acompanhou Manu Chao e Gabriel O Pensador e colaborou com músicos cearenses como Artur Menezes, Daniel Groove, Lorena Nunes e Mateus Fazeno Rock.
O diálogo entre diferentes fases da música cearense também aparece em projetos coletivos que Mendes criou, entre eles Belchior de Todes, Mundo Suspenso e Ceará In Reggae. Algumas parcerias profissionais se mantêm há duas décadas, e o músico considera esses vínculos parte relevante de sua trajetória.
Nas sessions que promove, artistas experientes e iniciantes compartilham o palco e têm espaço para conversar, além de tocar juntos. Mendes afirma que o contato direto permite conhecer as pessoas para além da imagem de suas carreiras nas redes sociais e resume sua intenção como uma missão de integrar diferentes trajetórias.
Ateliê de Criação Musical aposta na criação coletiva
Há cinco anos, Mendes desenvolve o Ateliê de Criação Musical, uma iniciativa que propõe compor em grupo sem exigir domínio de instrumentos ou a busca por um resultado tecnicamente perfeito. O projeto já realizou mais de 40 turmas e gerou mais de 30 músicas, lançadas em plataformas digitais e no YouTube.
Os encontros podem começar com sons do corpo, do chão, das paredes e de objetos disponíveis, sem depender de instrumentos convencionais. A partir de frases, ritmos e improvisações, os participantes constroem uma composição que pode ser gravada e acompanhada de videoclipe ao fim de poucos dias.
O produtor apresenta o ateliê como um espaço seguro para experimentar, errar e criar sem a pressão de atender a expectativas do mercado. Em uma atividade, diante de problemas nas cordas de um cavaquinho trazido de Cabo Verde, ele elaborou um arranjo usando apenas uma corda, tratando a limitação do instrumento como parte do processo criativo.
Projetos em Parnaíba aproximam música e memória familiar
Um dos projetos ligados à história da família parte do livro de poemas Ascensão, publicado por Raimundo Fonseca Mendes, avô de Claudio. A capa da edição saiu com o título grafado incorretamente como “Asensão”; abalado com o erro, o escritor não quis dar continuidade à publicação, e os exemplares permaneceram guardados pela família.
Parte dos poemas foi musicada pelo pai e por tios de Claudio, mas as composições nunca chegaram a ser gravadas. O produtor planeja preservar os exemplares originais, relançar o livro com a grafia correta e produzir gravações das canções já existentes, além de convidar novos compositores de Parnaíba a criar a partir dos textos.
A aproximação com a cidade também se relaciona a um período de lutos e adoecimento durante a pandemia, que levou Mendes a pensar em reconstrução e ancestralidade. Ele pretende manter o estúdio em Fortaleza e compartilhá-lo com outros artistas; entre os planos futuros, está ainda a criação de um centro educacional que aproxime arte, natureza e desenvolvimento humano.


